![Pelo Olhar [Adriana em Livro]](imagens/PeloOlhar-Apresentacao.jpg)
Apresentação
Nossa geração vive o grande conflito do fenômeno pós-moderno. Diante de tantas experiências de crítica de superfície e de margem confesso que me surpreende a potencialidade de síntese concriativa presente em Pelo Olhar [Adriana em Livro].
Confesso que acabei me aproximando mais do universo musical de Adriana Calcanhoto.
Este, sim, deve ser o verdadeiro espírito da crítica: uma potencialidade que aproxime, que dê vida ao que outras pessoas não perceberiam, a não ser, "pelo olhar da alma".
O Pós-moderno é justamente a fuga das tão desbotadas dialéticas de superação. Pelo Olhar [Adriana em Livro] não quer superar, não quer sobrepor. É uma façanha de um novo fenômeno: é a própria fenomenologia da concriação. É um criar a partir do criado. Através desta homenagem de fã está também a vontade artística e criadora: uma vontade de expor o mundo pelo olhar do universo de outro artista. Esta homenagem que se esconde atrás de um discurso simples é bem mais que um livro é a própria expressão do espírito livre.
É livro que se aproxima mais do poético que do simples prosaico.
É a linha em que poesia e a prosa se confundem.
Às vezes, é um livro que nos fala de pessoas sem nome como em Tons. Neste conto uma pessoa sem nome, uma pessoa qualquer, redescobre o ritmo da vida "um quebra-cabeça cheio de cores"; com essa descoberta "os tons de sua vida tornaram-se mais leves". Esta é a grande percepção da própria esperança adormecida.
Às vezes, é um livro de encontro e desencontros como em Vambora, onde o que importa é a paixão além dos limites dos preconceitos ou como em Inverno em que os amantes se afastam e só ficam os enigmas das lembranças apenas percebidas "pelo olhar da alma".
Às vezes, é a própria utopia e é o próprio mito do ser que acredita no devaneio. Um jovem que apaixona-se pelas estrelas. Talvez todo ser humano, bem no fundo queira ser uma estrela, talvez todo humano seja perseguido por vozes que dizem "por aqui, por aqui, siga a luz".
Às vezes, é um livro que fala do risco de viver, como em Senhas em que um jovem que grita "Eu não sou culpado de ter vivido, de ter arriscado". Ninguém é culpado por arriscar e, mesmo, o viver mais protegido é um risco: o risco de não viver.
Outras vezes, é o livro da eterna condição humana do desejo da liberdade. Todo ser deveria se sentir "livre para fazer qualquer coisa e voar pelo mundo afora". A maior liberdade está dentro de cada um.
Às vezes, é um livro em que as personagens gritam "O que sou? Você me pergunta"
Personagens que não têm "barreiras entre a vida e a morte" como em Asas ou não têm barreiras entre o amor e o ódio como em Âmbar. Âmbar é também um conto da busca do paraíso perdido. Uma mulher que em busca desse paraíso foi "para cama com mais de mil homens"
Por fim, Pelo Olhar [Adriana em Livro] é tudo isso:
é o encontro e o desencontro,
é a busca pela esperança escondida ou esquecida,
é busca pela luz,
é a certeza dos riscos que a vida proporciona,
é o amor e a morte e o amor e a esperança.
Ainda, é a certeza de que tudo isso se resume no olhar e que todos esses mistérios das contradições humanas podem ser aprendidas por um simples olhar...
é a certeza de que todos os segredos se escondem na maneira de contemplar o mundo.
Todos os segredos escondidos num simples olhar...
Cláudio Silva (Um Grande Amigo)
Graduado em Letras Português Literatura - Universidade de Brasília